Seu cliente vive dizendo que a conta de luz não para de subir. Agora dá para provar com número. Levantamos a tarifa residencial das 30 principais distribuidoras do país, nos 27 estados, direto da base de dados abertos da ANEEL.
Entre setembro de 2021 e setembro de 2026, a tarifa média subiu 40%, de R$ 0,61 para R$ 0,85 por kWh, sem impostos. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA ficou perto de 30%. A energia ficou 10 pontos percentuais mais cara que o resto da economia, uma alta média de 6,9% ao ano.
Os estados com as maiores altas
Nenhum estado escapou. As maiores altas vieram de distribuidoras do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, onde a tarifa passou de 60% de aumento em cinco anos:

Na outra ponta, as menores altas foram da Energisa Paraíba (18,9%), da Enel Ceará (19,2%) e da CPFL Paulista, no interior de São Paulo (24,1%). Mesmo assim, nenhuma distribuidora ficou abaixo de 18%.
Tabela: tarifa e aumento em cada estado
A tabela está dividida em duas partes, em ordem alfabética de estado. Os valores são a tarifa residencial B1 convencional homologada pela ANEEL (TE + TUSD), sem ICMS, PIS/COFINS e bandeiras. SP, RJ e RS aparecem com duas linhas porque a distribuidora muda entre a capital e o interior.
Parte 1: do Acre à Paraíba, 15 distribuidoras.

Parte 2: do Paraná ao Tocantins, mais 15 distribuidoras, incluindo capital e interior de RJ, RS e SP.

São Paulo: o caso da Enel SP
Na capital paulista, a tarifa da Enel SP foi de R$ 0,59 para R$ 0,79 por kWh, alta de 32,8%. O caminho não foi linear: subiu 10,4% em 2022, recuou em 2023 e 2024 e voltou a disparar em 2025 (+14,0%) e 2026 (+8,9%).

4 motivos para a conta não parar de subir
Segundo o boletim InfoTarifas de setembro de 2026, a ANEEL projeta efeito tarifário médio de 9,4% em 2026, quase o dobro da inflação esperada. Quatro fatores explicam a pressão:

1. Encargos e componentes financeiros. Somam mais de 6 pontos percentuais da projeção da ANEEL para 2026.
2. Fim da energia barata da antiga Eletrobras. O ciclo 2026/2027 marca a última etapa da descotização: as usinas deixam o regime de cotas e passam a vender a preço de mercado.
3. Subsídios. A CDE vai custar R$ 47,8 bilhões aos consumidores em 2026, 15,4% a mais que em 2025.
4. Clima e térmicas. Reservatórios abaixo da média e contratação obrigatória de térmicas encarecem a geração e acionam bandeiras.
Quanto a conta pode subir até 2031
Não existe projeção oficial por distribuidora para os próximos cinco anos. Por isso, montamos três cenários a partir das tarifas da ANEEL e da inflação projetada pelo Boletim Focus (21/09/2026):

No cenário base, a tarifa média sai de R$ 0,85 para cerca de R$ 1,06 por kWh em 2031. Há forças de baixa no radar: segundo a TR Soluções, a Lei 15.269/2025 pode reduzir as tarifas residenciais em cerca de 6,77% ao longo de 12 anos, e a abertura do mercado livre para a baixa tensão está prevista a partir de 2027. Ainda assim, o histórico recente é de alta acima da inflação.
O que isso significa na conta do seu cliente

Uma conta de R$ 500 por mês hoje pode chegar a R$ 624 em 2031 no cenário base, ou R$ 700 se a tendência dos últimos cinco anos se repetir. Somando os 60 meses, são cerca de R$ 34 mil pagos em energia. É com esse número que a parcela de um sistema solar deve ser comparada.
3 passos para usar esses dados na proposta
1. Mostre o histórico. Abra a proposta com a alta da distribuidora do seu cliente nos últimos cinco anos. Ele sente isso no bolso todo mês.
2. Projete a conta futura. Mostre quanto ele vai pagar de energia até 2031 se nada mudar. Número concreto convence mais que promessa.
3. Compare com a parcela. A parcela do sistema solar tem valor definido. A conta de luz, não: ela sobe todo ano.

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Fontes: ANEEL Dados Abertos (tarifas de aplicação das distribuidoras); ANEEL InfoTarifas set/2026, via CNN Brasil; Folhapress com PSR, Logos Economia e Abraceel (fev/2026); XP Radar Energia com TR Soluções (dez/2025); Banco Central, Boletim Focus (21/09/2026).



