Setor de energia solar cresce no Brasil, mas ainda possui uma baixa representatividade feminina

Dados demonstram que ainda existe uma lacuna com relação a representatividade feminina no setor fotovoltaico, dentro de organizações.


representatividade feminina

O Brasil foi o 4º país que mais cresceu em capacidade solar fotovoltaica no mundo em 2021, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Esse é um mercado que vem se expandindo mais a cada ano e ofertando também milhares de postos de trabalho. 

No período em que o desemprego bate na porta de muitos brasileiros, é fundamental fortalecer um setor que ganha destaque e oferece novas oportunidades à população. Contudo, a disparidade de gênero é uma realidade marcante, em que a participação feminina representa muito menos do que o esperado entre os cargos existentes.

De acordo com o levantamento realizado pela International Renewable Energy Agency (IRENA), as mulheres representam 32% da força de trabalho em tempo integral dentro das organizações, no setor de energias renováveis a nível mundial.

Baixa representatividade feminina no mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil

Quando trazemos dados sobre o setor da energia solar no Brasil, especificamente, eles não se alteram. O estudo realizado pelo C40 Cities Finance Facility (CFF) aponta que as empresas empregam majoritariamente homens, com o percentual de 68%, na média do período de 2012 a 2019. Apenas 32% do quadro de funcionários é representado por mulheres.

Esses dados foram publicados no ano de 2019 e podem ser analisados junto com o estudo realizado pela Greener, no primeiro semestre de 2021. Ele aponta que 40% das empresas não contam com mulheres em seu quadro de funcionários. A participação média feminina pode variar de 16% a 21%, a depender do porte da empresa.

As pesquisas apontam para uma desigualdade de gênero no setor e esse é um problema que pode ter início até mesmo dentro das próprias universidades, onde a representatividade feminina em cursos na área de exatas ainda é baixa, mesmo que esse cenário já tenha se modificado bastante nos últimos anos.

Muitas mulheres ainda sentem dificuldades em entrar no mercado de trabalho, especialmente quando já possuem filhos. Quando falamos sobre cargos de liderança, a situação é ainda mais preocupante.

Mulheres em cargos de liderança

Embora o nível de escolaridade das mulheres (45,4%) que atuam no setor sejam maior que a dos homens (30,7%), a pesquisa da C40 Cities Finance Facility (CFF) revela que os cargos de liderança são ocupados, em sua maioria expressiva, por homens, conforme mostram os quadros abaixo:

Imagem retirada da pesquisa realizada pela  C40 Cities Finance Facility (CFF)

É válido ressaltar que eles tendem a ganhar, em média, 31% a mais que as mulheres. Mesmo nas situações em que ambos possuam a mesma escolaridade, idade e emprego.

Já a pesquisa realizada pela Greener mostrou que mais da metade das mulheres que atuam nas empresas do setor de energia solar trabalham no setor administrativo, financeiro ou RH. Apenas 15% ocupam cargos técnicos, como projeto, engenharia, montagem ou instalação.

Violências sofridas dentro do ambiente de trabalho

Outro ponto relevante para destacar e que, portanto, pode interferir diretamente na baixa representatividade feminina dentro setor solar, são os tipos de violências sofridas no local de trabalho.

O estudo da C40 Cities Finance Facility (CFF) alerta para o fato de que a maioria das mulheres (57%) já sofreu algum tipo de violência como profissional do setor, nos diferentes espaços nos quais atuam. E 71,7% delas já foram discriminadas nesses ambientes. Esse é um dado bastante preocupante e que alerta para a necessidade de respeito e dignidade dentro das instituições corporativas e educacionais, assim como de qualquer outro.

Dentre os tipos de violências relatadas pelas melhores, podemos destacar as seguintes:

  • Violência psicológica (47,4%)
  • Violência moral (15,5%)
  • Violência sexual (10%)
  • Violência física (1,6%)
  • Outros tipos de violências (0,8%)

Busca por um aumento na representatividade feminina no mercado

Apesar de ainda haver uma lacuna quanto à representatividade feminina setor, podemos observar que, por outro lado, alguns movimentos surgiram nos últimos anos, na busca por reverter esse quadro. Um deles é a Rede Brasileira de Mulheres na Energia Solar (MESol), que surgiu em 2019, com o objetivo de dar visibilidade, promover, fortalecer, inspirar e conectar as mulheres que trabalham no setor.

Aline Pan, Co-fundadora e Coordenadora do movimento, afirma que a Rede MESol defende a necessidade de mitigar os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres do setor, propondo modelos alternativos, fortalecendo e dando visibilidade para projetos, pesquisas e trabalhos conduzidos por mulheres e as promovendo para atuarem ativamente no processo brasileiro de diversificação e transição energética. 

Ela afirma que o movimento começou com uma inquietação, sobre onde estariam as mulheres no setor. Com isso, um grupo feminino com formação científica e técnica se reuniu, visando analisar a causa da desigualdade de gênero e desenvolver propostas para melhorar a situação.

A partir disso, a Rede MESol vem realizando ações que promovem as vozes femininas no setor da energia solar, especialmente em mesas de decisões. Bem como,  no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias, nas empresas, no campo, em eventos e/ou feiras, entre outros.

1 comentário em “Setor de energia solar cresce no Brasil, mas ainda possui uma baixa representatividade feminina”

  1. Excelente matéria Luíza! Parabéns! Precisamos discutir e agir muito sobre esta temática já que queremos que o Brasil caminhe na direção da transição energética.

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